BIODIVERSIDADE GUARULHENSE

Biodiversidade é o conjunto de todas as espécies de seres vivos existentes em determinada região. Atualmente, segundo o Decreto Municipal nº 35.096/2018, que dispõe sobre a atualização da “Lista de Fauna” do município, há um total de 774 espécies registradas para o município de Guarulhos, que podem ser classificadas de acordo com a tabela abaixo:

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Peixes

Os peixes são o menor grupo da fauna de Guarulhos, com apenas 12 espécies. São fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas naturais, controlando a proliferação de insetos e, assim como os anfíbios, servindo como alimento para aves, répteis e mamíferos. Os mais comuns são os peixes Guarú, a Traíra, o Lambarí e o Cará. 

ANFÍBIOS

Conhecidos por transitarem entre o meio aquático e o terrestre, os anfíbios guarulhenses são representados pelos sapos, rãs, pererecas e cecílias (cobras-cegas) e possuem um papel fundamental no controle de invertebrados, além de servirem como alimento para aves, répteis e mamíferos. O destaque vai para o pequeno e dourado Sapinho-pingo-de-ouro (Brachycephalus ephippium), que pode ser menor que uma unha. A espécie se tornou símbolo do Geoparque Ciclo do Ouro - Guarulhos.

1. Sapinho, espécie  Pingo de Ouro. Exem

RÉPTEIS

Réptil, do latim reptare, isto é, “rastejar”, é um termo usado para se referir a um grupo de animais vertebrados, com o corpo coberto por escamas ou placas córneas, que são ectotérmicos e também possuem o hábito de rastejar. Nesse grupo estão as serpentes, lagartos, tartarugas e crocodilianos. Com 72 espécies de répteis registradas em Guarulhos, a cidade possui uma diversidade considerada alta, representando 9% de todas as espécies de répteis registradas no Brasil.

A DIFERENÇA ENTRE VENENOSO E PEÇONHENTO

Os animais peçonhentos são aqueles que possuem a capacidade de injetar substâncias tóxicas por meio de estruturas especializadas para isso, como presas ou ferrões. Já os venenosos, por sua vez, causam envenenamento passivo por ingestão ou simples contato como, por exemplo, a pele de alguns sapos e a carne de alguns peixes.    

PEÇONHENTAS EM GUARULHOS

Além da Coral-verdadeira, que apesar da peçonha letal, há registro de acidentes ofídicos com essa espécie em Guarulhos, entretanto nenhum registro de óbitos, existem outras duas espécies responsáveis por causar acidentes graves, como a Jararaca (Bothrops spp.), e até mesmo óbito, como a Cascavel (Crotallus durissus).

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A MAIS LETAL

A coral-verdadeira (Micrurus coralinus) encontrada em Guarulhos pertence à família das serpentes mais peçonhentas do mundo. Qualquer acidente envolvendo essa espécie já é considerado grave, no entanto, apesar de serem altamente letais, essas serpentes são muito mansas e somente 0,86% dos acidentes ofídicos são causados por elas (BERNARDE, 2014). 

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CORAL-VERDADEIRA E FALSA-CORAL


A coral-verdadeira (Micrurus coralinus) encontrada em Guarulhos apresenta uma coloração vistosa em vermelho, preto e branco que serve como advertência para possíveis predadores. Essa característica é denominada aposematismo. Já as falsas-corais (não-peçonhentas) imitam essa coloração como forma de defesa. Esse comportamento é denominado mimetismo.

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O MAIS ESTRANHO

O Cágado-pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera) é o réptil mais estranho da cidade. O animal possui casco de tartaruga, patas com membranas semelhantes às das rãs e um pescoço grande e desproporcional em relação ao seu corpo, que apresenta pontinhas parecidas com espinhos e que se dobra lateralmente ao casco quando se sente ameaçado - daí o nome “pescoço de cobra”.


O curioso é que existem duas espécies em Guarulhos, sendo que a segunda (Hydromedusa maximiliani) também possui uma aparência pré-histórica como a anterior. No entanto, a última é uma bioindicadora da qualidade da água, pois só vive em córregos de águas frias e livres de contaminação por esgoto. É uma das menores tartarugas de água doce do Brasil e só existe na Mata Atlântica do sudeste do país.
 

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AVES

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Tão grandioso quanto o número de habitantes da segunda maior cidade do Estado, é o número de aves que compartilham o território com os guarulhenses. A população atual da cidade, de 1.379.182 pessoas, convive com  375 espécies de aves, o maior grupo da fauna da cidade, dotadas das mais variadas cores, tamanhos e cantos. 

37 delas constam na lista de espécies com dados deficientes, quase ameaçadas ou ameaçadas de extinção, como a Saíra-sapucaia (Tangara peruviana), o Araçari-Banana, a Araponga, o Pavó (Pyroderus scutatus), o Macuco (Tinamus solitarius) e tantas outras.

As aves não só habitam florestas preservadas ao norte da cidade, mas também os parques urbanos como, por exemplo, o Bosque Maia, o Parque City Las Vegas na região do bairro Vila Rio, o Parque Chico Mendes nos Pimentas e, até mesmo, o centro da cidade, conforme a imagem abaixo. Mesmo que muitas vezes não sejam notadas, estão presentes e prestam um serviço inestimável para as florestas como dispersoras de sementes e polinizadoras. 

Devido à sua importância, as aves possuem um lugar garantido no brasão e na bandeira da cidade, sendo representadas pela Anhuma (Anhima cornuta), ave que se destaca pelo espículo córneo em sua cabeça, semelhante a um pequeno chifre. O pássaro costumava habitar as margens dos rios guarulhenses, mas devido ao crescimento da cidade e a consequente diminuição da qualidade das águas dos rios, a Anhuma deixou de habitar Guarulhos

MAMÍFEROS

Mamíferos são animais que possuem duas características marcantes: a presença de pêlos no corpo e de glândulas mamárias. Em Guarulhos, esse grupo é constituído por 79 espécies, o que representa a ocorrência de mais de 10% das espécies de mamíferos do Brasil. Vale destacar a ocorrência da Onça-parda, Jaguatirica, Bicho-preguiça, Irara, Cachorro-do-mato, dentre outros.

 

O Saguí-da-serra-escuro é endêmico da Mata Atlântica com ocorrência registrada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. É uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do planeta, sendo que o Núcleo Cabuçu do Parque Estadual da Cantareira é um dos poucos lugares em que ainda se pode observar o Saguí na natureza. O Zoológico de Guarulhos é referência na conservação da espécie e foi o primeiro do mundo a conseguir sua reprodução em cativeiro.
 

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INVERTEBRADOS


Os invertebrados das florestas de Guarulhos são, de modo geral, um grupo pouco estudado, e certamente existem espécies que a ciência ainda sequer descreveu. Das descritas, o destaque vai para as 71 espécies de aranhas, incluindo as peçonhentas: Aranha-marrom (Loxosceles spp.) e a temida Armadeira (Phoneutria nigriventer). As borboletas também se destacam com 61 espécies das mais variadas formas e cores.

Aranha armadeira (Phoneutria nigriventer)
Foto: Antonio R da Costa