Guarulhos e o Império (1822-1889) 

No transcorrer do Primeiro e Segundo Reinado, a cidade deixou de ser um bairro de São Paulo, tornando-se município (antiga Vila). Teve início a estruturação do sistema de ensino público e a implantação da primeira escola de instrução pública. Há menções aos pernoites de D. Pedro I, D. Pedro II, Imperatriz Teresa Cristina e Princesa Isabel nas imediações da antiga Igreja Matriz e passagens  da família real por Bonsucesso e Taboão.    

18. Rua d. Pedro II (1959). Autoria desc
19. Independ_ncia ou Morte, por Pedro Am

D. Pedro I Dormiu em Guarulhos (1822). Antes do Grito do Ipiranga?  

Ao sair do Rio de Janeiro rumo a Santos para encontrar com José Bonifácio de Andrada e Silva (Patrono da Independência), D. Pedro I pode ter pernoitado, no dia 24 de agosto de 1822, em Guarulhos ou no Bairro da Penha. Antigos pesquisadores da Penha e Guarulhos divergem quanto ao local do pernoite. Retornando da viagem a Santos, no dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro I declarou a Independência do Brasil às margens do Riacho do Ipiranga

Casa da Candinha (1825): A mais antiga da cidade!  

A atual Casa da Candinha foi a Casa-Sede da Fazenda Bananal. A primeira era chamada Casa de Pedra (1717). A Casa da Candinha conserva em sua construção marcas de tempos passados: paredes externas de taipa de pilão e internas de taipa de sopapo, além de um porão, sala, varanda, capela consagrada, alcovas, assoalho de madeira, telhas feita nas coxas, pomar e senzala. Localiza-se na Serra do Bananal, de frente para a Estrada do Saboó.

20. Atual Casa da Candinha, 1960. (AHG).
21. Igreja, Pra_a e antigo trecho da  Es

Primeiro Professor de Guarulhos foi Sepultado na Igreja de Bonsucesso (1826) 

Bonifácio de Siqueira Bueno nasceu em 1806 e foi o primeiro professor de Guarulhos. Naquela época, sua função era educar meninos das fazendas, ora recebendo alunos em sua varanda, ora visitando aluno por aluno. O nome dado ao ofício era “Mestre-Escola”. Faleceu aos 74 anos e foi sepultado na Igreja de Bonsucesso por seu filho João Álvares de Siqueira Bueno, deputado da cidade de 1880 a 1881 e 1884 a 1885.

Movimento Abolicionista (1830) e Migração Europeia  

No Brasil, último país a abolir a escravidão, apesar das inúmeras formas de resistência ao sistema escravista, o abolicionismo ganhou maior força a partir de 1870. Com o intuito de promover o branqueamento da população e aumentar a força de trabalho disponível, barateando-a, o Governo Imperial incentivou a imigração de famílias europeias e asiáticas. A partir de 1880, Guarulhos passa a receber muitas dessas famílias, a maioria italiana.     

22. Cantina Gianni, visita do Governador
23. Bras_o do Imp_rio, Catedral Nossa Se

D. Pedro II, Teresa Cristina e Princesa Isabel em Guarulhos

Consta na historiografia local um relato de que D. Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina e a Princesa Isabel (filha do casal) foram vistos assistindo a uma missa na Igreja Matriz de Guarulhos e que pernoitaram na cidade em uma antiga casa de taipa de pilão. É possível avistar o Brasão do Império tanto acima do altar quanto na parede frontal da Catedral.

Capela de Santa Cruz do Taboão e a Princesa Isabel 

Contam que um homem negro escravizado construiu, em meados de 1850, a primitiva Capela-Cemitério da Santa Cruz do Taboão a pedido da menina Princesa Isabel. Anos depois, a região teve um surto de bexiga (varíola) e entre os falecidos havia um homem negro muito querido. Duas cruzes de cedro foram dispostas sobre o túmulo e são protegidas por famílias afrodescendentes. Localiza-se na Capelinha de Santa Cruz - Sítio Bom Jardim.

24. Antiga Capela Santa Cruz Tabo_o, Pra
25. Capa do primeiro livro de matricula

Primeira Escola de Instrução Pública (1870)

Em 1870 foi implantada a primeira Escola Masculina de Instrução Pública de Guarulhos. A instituição era sediada entre a antiga Igreja Matriz e a Capela de Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Homens Pretos. No livro de matrículas de 1870-1875, constam 34 meninos matriculados no dia 15 de janeiro de 1870 pelo padre João Vicente Valadão, deputado provincial e pároco da Igreja Matriz (1843-1883). 

Guarulhos deixa de ser um Bairro de São Paulo (1880)

Guarulhos tornou-se independente no dia 24 de março de 1880. A eleição dos vereadores (à época denominados intendentes) ocorreu em 24 de janeiro de 1881, sendo eleitos: Cap. Joaquim Francisco de Paula Rebello, Francisco Soares da Cunha, Joaquim Rodrigues de Miranda, José de Sant’ana e Silva, Marciano Ortiz de Camargo, José Alves de Almeida Pinho e Bento da Silva Ramos, substituído pelo suplente Francisco José Rodrigues.      

26. Pra_a Teresa Cristina e Igreja Matri
27. Antigas olarias, varzea do Rio Tiet_

Olarias Guarulhenses... Presença Italiana (1880)

Entre 1882 e 1960, Guarulhos tornou-se um dos maiores pólos de produção de tijolos cozidos da Grande São Paulo, revigorando a economia local, enfraquecida desde 1820 com o fim da extração do ouro. Em 1880, havia 4 olarias e uma família de imigrantes italianos morando na cidade - Vincenzo Speranza e a esposa, Felisbina Maria do Espírito Santo. Os oleiros e suas olarias marcaram, profundamente, a história de Guarulhos. 

Junta Classificadora de Escravos (1884)  

Muitos registros históricos constam nos livros da Câmara de Vereadores desde sua implantação. No Primeiro Livro-ata (p. 64), consta uma propositura do presidente da Província de São Paulo alertando a Junta Classificadora e o Fundo de Emancipação de Escravos do Município. O recurso financeiro era destinado ao proprietário, que teria a pessoa escravizada, com idade avançada, alforriada.       

28. Inhoquim de Ferro, filho de pessoas
29. Bas_lica Nossa Senhora da Penha (202

Penha e Mairiporã pertenceram a Guarulhos (1886)

Em 1880, quando Guarulhos emancipou-se de São Paulo, a Penha e Mairiporã foram anexadas ao Município de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos. Anos depois foram desmembradas novamente, sendo que a primeira tornou-se Freguesia de Nossa Senhora da Penha de França e voltou a ser bairro de São Paulo em 1886 (Lei Provincial, n.71) e Mairiporã (antiga Juquery) emancipou-se de São Paulo e tornou-se município em 1889 (Lei Provincial, n.66). 

Abolição da Escravatura e a Rua Luís Gama (1888)

O dia 13 de maio de 1888 marcou a abolição da escravatura no Brasil, a última nação da América a decretar o fim dessa prática. Em reconhecimento à luta abolicionista de Luís Gama (1830-1882), seu nome substituiu, em 1932, o nome da Rua 13 de Maio. No centro da cidade, a Rua Luís Gama interliga a Praça Conselheiro Crispiniano ao atual Cemitério São João Batista.

30.  Lu_s Gonzaga Pinto da Gama (autoris
31. Pra_a Conselheiro Crispiniano, em 19

Praça Conselheiro Crispiniano... Marco Imperial   

O nome do patrono da praça, onde existiu, até 1930, a Igreja Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Homens Pretos, é João Crispiniano Soares (1809-1876), nascido em Guarulhos, conselheiro do Império nomeado por D. Pedro II. Conselheiro Crispiniano e Luís Gama eram maçons e filiados ao Partido Republicano Paulista, fundado em 1873. Conselheiro Crispiniano era escravocrata e, Luís Gama, abolicionista. Dois símbolos e muitas simbologias!