10. Atual Rua d. Pedro II, antiga Rua Di

Guarulhos... Raízes Pré-Históricas     

De acordo com a historiografia, a Pré-História, período mais longo da humanidade, diz respeito aos 100 a 200 mil anos da existência do homem. O início da História, por sua vez, é marcado pela invenção da escrita egípcia há cerca de 5 mil anos. O território guarulhense carrega raízes pré-históricas que podem ser vistas em diferentes pontos da cidade.

Maromomi: Os Primeiros Habitantes do Território Guarulhense

Os Maromomi eram povos nômades, isto é, mudavam de lugar permanentemente. Sobreviviam através da caça, da pesca, da extração de raízes, da colheita dos frutos da sapucaia e do pinhão da araucária. Ocupavam especialmente a Serra do Mar e Mantiqueira, os vales dos rios Paraíba do Sul e a margem direita do Rio Tietê, região ocupada hoje pela cidade de Guarulhos e outras cidades.

11. Índios em sua cabana. Data incerta.
12. Luzia, face reconstituida do ser hum

Paleoindígenas ou Indígenas?

É provável que o grupo Maromomi descenda do grupo paleoindígena, o mais antigo do território Americano. No século XVI, quando os colonizadores portugueses chegaram ao litoral da Bahia, o território era habitado por povos de língua Tupi (ceramistas). As demais etnias, como as dos troncos linguísticos Jê, Macro-jê e Aruak, viviam afastadas dali, percorrendo os vales dos grandes rios.

Maromomi... Restaram Duas Palavras      

Apenas duas palavras dos primeiros habitantes do território guarulhense foram identificadas, sendo elas “are” (padre) e “Nhamã nhaxê muna” (Deus), registradas pelo padre Manuel Viegas em uma carta de 1585. De acordo com o linguista Benedito Prézia, especializado em idiomas indígenas brasileiros, as duas palavras são da família linguística puri, pertencente ao tronco Macro-jê. 

13. Grupo Purí, aparentando os Moromomi.
14. Escavação de Sambaqui Laguna, 2009.

Maromomi e Sambaquis do Litoral Paulista

A tradição coletora dos Maromomi vem de longa data. Entre São Sebastião e Caraguatatuba – litoral Norte de São Paulo – há a Enseada dos Maromomi. Localizada na bacia hidrográfica do Rio Juqueriquerê, a Enseada concentra os chamados sambaquis. A história revela que os povos caçadores-coletores, incluindo os Maromomi, foram expulsos do litoral paulista pelos indígenas Tupi, cuja chegada ao território do atual Brasil começa a partir de 9 mil anos atrás.

Toponímia Tupi Guarulhense

Desde o nome da cidade até a ave-símbolo do município (Anhuma), muitas palavras de origem Tupi fazem parte do cotidiano guarulhense. São exemplos disso os topônimos Cocaia, Cumbica, Cabuçu, Baquirivu-Guaçu, Tietê, Itapegica, Itaberaba, Nhanguaçu, Piratininga, Any, Guaraçau, Tupinambá, Jurema, Taboão e Itaim. Faltam dados na historiografia local sobre a presença do povo Tupi em Guarulhos antes de 1560.

15. Anhuma, ave simbolo de Guarulhos..jp

Urna Funerária foi encontrada em Guarulhos 

Uma urna funerária Tupi foi encontrada na década de 1920 no atual bairro da Ponte Grande, várzea do Rio Tietê. O objeto, descoberto pelo pesquisador Afonso de Freitas, foi entregue ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. A produção cerâmica e os sepultamentos em urnas funerárias são tradições desse povo.

Aldeia Indígena Multiétnica, Bairro Cabuçu

Em Guarulhos, os indígenas continuam fazendo história. Etnias Jê, Tupi, Guarani e Macro-Jê se uniram e fundaram a Associação Arte Nativa em 2006. Cinco anos depois, criaram, no Jardim City, o Centro de Referências Indígenas e, em 2018, implantaram a Aldeia Indígena Multiétnica Filhos Dessa Terra, no bairro Cabuçu. As ações demonstram organização e união em defesa da vida e das culturas indígenas em nossa cidade.

16. Oca da Aldeia Multietnica, nascentes