Guarulhos e a República Velha (1889-1930)

É o período embrionário da expansão urbana da cidade, bem como da verticalização, sem adensamento urbano. A paisagem rural começou a mudar, transformando-se em casas, praças, escolas, olarias, fábrica, comércio e também vias de acesso, como estradas, ruas e ferrovia contornando o Centro de Guarulhos, Vila Galvão, Várzea do Palácio e Ponte Grande. 

32. Bairro Ponte Grande (data e autoria
33. Centro Hist_rico de Guarulhos, decad

Rua 15 de Novembro... Símbolo Republicano 

O pequeno trecho de rua denominado “15 de Novembro”, localizado na Colina do Centro Histórico de Guarulhos, evoca a Proclamação da República por interligar a Rua 7 de Setembro e a Rua d. Pedro II, sintetizando três momentos da história do Brasil e de Guarulhos: Independência (1822), Império (1843) e República (1889). O nome da Rua 15 de novembro foi atribuído pela Câmara de Vereadores em 1921. 

Primeiro Cemitério Público de Guarulhos (1891)

Construído no Centro da cidade após a emancipação (1880), o antigo Cemitério Municipal (atual São João Batista, na Rua Felício Marcondes) substituiu os espaços – interiores e arredores – das antigas capelas e igrejas católicas destinadas a sepultamentos. Joaquim Candido de Moraes, sepultado em 1891, é o registro tumular mais antigo do cemitério São João Batista. Primeiro cemitério público e tombado como patrimônio histórico.

34. Centro Hist_rico de Guarulhos, dec_d

Migração Libanesa (1905) 

Antônio Jorge foi o primeiro migrante libanês a chegar a Guarulhos (1905). Permaneceu pouco tempo mascateando e retornou ao Líbano. Cinco anos mais tarde voltou a Guarulhos acompanhado de familiares, estabelecendo-se como dono da casa comercial “Três Irmãos”, na atual Rua d. Pedro II. Antônio Jorge foi o pioneiro da grande comunidade judaica guarulhense, que compreende Sírios, Libaneses, Palestinos, Turcos e todas as demais etnias judaicas. 

Apenas Guarulhos (1906)

Guarulhos antiga era chamada Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos. Mediante a Lei Provincial n. 1.021, de 6 de novembro de 1906, foi retirada a menção à padroeira da cidade permanecendo apenas o etnônimo Guarulhos. Cabe destacar que a Proclamação da Republica decretou a separação do Estado da Igreja Católica, colocando fim aos 389 anos do padroado (1500-1889), aliança entre a Igreja Católica, colonização portuguesa e Império Brasileiro.

36. Rua d. Pedro II,  d_cada de 1940. Au
37. Balneario Vila Galv_o, 1939. Autoria

Lago Vila Galvão (1906)  

Em 1906, de propriedade de Carlos Reis, o Lago Vila Galvão era denominado Balneário da Fazendinha Cabuçu. Em 1909, Francisco Gonzaga de Vasconcellos comprou a Fazendinha Cabuçu e instalou, em torno do lago, estruturas de lazer, esporte e cultura, sendo que o espaço foi inaugurado em 1918, com a presença da Banda Lira. Em 1935, José Cícero de Miranda se tornou dono do Balneário comprando-o da família Vasconcellos. Há mais de 100 anos o Lago Vila Galvão propicia lazer, esporte, cultura, beleza, encanto natural!

Represa do Cabuçu: a Primeira em Arcos do Brasil (1908)

Segundo consta, a Represa do Cabuçu, bem como o Aqueduto, foi a maior e mais inovadora obra do início do século XX do Estado de São Paulo. Construída de forma arqueada, para evitar o rompimento da parede de contenção da água, é a primeira represa do Brasil e a segunda do mundo, no mesmo estilo. O cimento usado na construção foi importado da Inglaterra. A água do Cabuçu chegava ao Parque d. Pedro II, por meio de 17 km de aqueduto, em curva de nível. 

38. Represa do Cabu_u inaugurada em 1908
39. Banda Lira, data e autoria desconhec

Banda Lira de Guarulhos (1908) 

Fundada em 1908, é um dos patrimônios imateriais mais significativos de Guarulhos. De acordo com a presidente atual, Dolores Nievas Aniceto Testai, “dona Lola”, a banda foi fundada por Italianos e na época faltavam instrumentos para todos os integrantes que trabalhavam nas olarias. A prefeitura fez uma doação de 50 mil réis, resolvendo o problema. A Banda Lira continua alegrando a cidade, tocando em eventos públicos e bailes há mais de 100 anos.  

Primeira Indústria (1911)... Origem do Nome Vila Galvão

A primeira indústria de Guarulhos foi implantada em 1911 por Francisco Gonzaga de Vasconcellos (dono da Fazendinha Cabuçu e do Lago Vila Galvão). A Cerâmica Paulista, de sua posse, produzia telhas e tijolos cozidos. As ruínas da fábrica podem ser vistos na parte central, do atual Terminal Metropolitano Vila Galvão. Monsenhor Ezechias Galvão da Fontoura (1832-1929), Bispo de São Paulo, foi sócio da Cerâmica Paulista. Veio desse episódio o “Galvão”, do topônimo Vila Galvão.

40 Primeira ind_stria, Vila Galv_o. (193
41. Rua d. Pedro II. Decada de 1950. Dat

Primeira Igreja Evangélica de Guarulhos (1913)  

A história evangélica, no município tem mais de um século. O começo foi em 1913, quando realizaram o primeiro culto, fundando a “Igreja Cristã Evangélica Brasileira”, atual Primeira Igreja Batista de Guarulhos. A fundação contou com a iniciativa do jovem casal evangélico-guarulhense Manuel José Antônio e Ana Maria da Conceição. A primeira sede da Igreja Cristã Evangélica Brasileira era localizada na atual Rua Nove de Julho, nº 72.   

Ruas Novas do Centro... Luz Elétrica (1914)       

O Centro de Guarulhos tinha oficialmente uma rua, a atual d. Pedro II. Prevendo a implantação da luz elétrica e a chegada do Trem da Cantareira, a Câmara de Vereadores autorizou, no dia 15 de abril de 1913, a implantação de oito novas ruas no centro: Felício Marcondes, Cerqueira César, João Gonçalves, Nova do Cinema, Felício Antônio Alves, Capitão Gabriel, Gabriel Antônio Machado e José Bebiano de Castro. A luz elétrica foi Inaugurada, no dia 28 de julho de 1914, pela Light.     

41. Rua d. Pedro II. Decada de 1950. Dat
42. Rua d. Pedro II, decada de 1950. Ao

Primeira Seção de Cinema (1914) 

Com a instalação da energia elétrica foi possível realizar a primeira sessão de cinema mudo-narrativo, ainda em 1914. A iniciativa é atribuída ao Padre Celestino Gomes d’ Oliveira Figueiredo, Pároco da Igreja Matriz (1912-1916). A expansão do cinema brasileiro está vinculada à história da energia elétrica. Rio de Janeiro (1896) e São Paulo (1907) foram os protagonistas da sétima arte e da produção de energia elétrica.   

Trem da Cantareira... Muitas Histórias (1915) 

No dia 4 de fevereiro de 1915 foi inaugurada a Estação Guarulhos, a Casa do Chefe da Estação e os trilhos do Trem da Cantareira, que interligavam Guarulhos ao Parque d. Pedro II. O trem “desobstruiu” a barreira natural feita pela várzea do Rio Tietê, facilitando o acesso dos guarulhenses à zona Norte e à Estação da Luz (São Paulo), totalizando 50 anos de funcionamento (1915-1965). Pertencia, inicialmente (1915-1942), a São Paulo Tramway, Light and Power, companhia canadense de trem e eletrificação. 

O Corredor e as Estações do Trem

Do Centro de Guarulhos à Vila Galvão (1915-1942) formou-se o corredor do Trem da Cantareira, com cinco estações: Guarulhos, na ex-Praça IV Centenário (1915), Vila Augusta (1916), Gopoúva (1922), Torres Tibagy (1931) e Vila Galvão, antiga Cabuçu (1915). Em 1942, a Rede Ferroviária Sorocabana (RFS) passou a operar o sistema estendendo o ramal até a Base Área (Estação Cumbica). Em 1954, implantou o loteamento Vila Sorocabana e estruturou a parada do trem. 

Clube União Operária e os teatristas da Vila Galvão (1917)

No ano da Revolução Russa e da greve geral que paralisou a cidade de São Paulo vários dias, os operários da Cerâmica Paulista, bem como os trabalhadores da estrada de ferro Trem da Cantareira, fundaram o clube “União Operária Beneficente Portuguesa” e, também, o Grupo de Teatristas da Vila Galvão, para divulgar os ideais classistas e as atividades do clube União Operaria.    

46. Sobrado dos Barbosas,  ao fundo Igre

Primeiro Sobrado... Uma Sala de Cinema (1918)

Em 1918 (data provável), Claudino de Almeida Barbosa construiu o primeiro sobrado da cidade (verticalização sem adensamento). Morava no piso superior com a família e na parte inferior implantou a primeira sala de cinema, de frente para a atual Rua d. Pedro II, atual número (...). A sala de cinema fez tanto sucesso que logo Barbosa teve de ampliar o espaço, construindo o Cinema e Teatro d. Pedro (1928), posteriormente, chamado de Cine República, atual nº 221.        

Construção do Antigo Paço Municipal (1919) 

Deu-se início, em 1919, à construção da primeira sede própria dos poderes Legislativo e Executivo guarulhenses, sendo sua inauguração em 1923. Edifício localizado na esquina das atuais ruas Felício Marcondes Munhoz e Sete de Setembro, número 164. Hoje é patrimônio histórico tombado por meio do Decreto Municipal 21.143/2000. Os primeiros vereadores, chamados de “intendentes” naquela época, tiveram como primeira sede, em 1881, uma antiga casa de taipa, que ficava de frente para a antiga Rua Direita, atual d. Pedro II, nº 91.    

49. Antigo Pa_o Municipal inaugurado em
50. Antigo Col_gio Sagrado Cora__o de Ma

Primeira Escola particular (1920)

Foi construída no fundo da antiga Igreja Matriz, em 1920 (atual Catedral). O prédio, de arquitetura eclética, abrigou o colégio das freiras do Sagrado Coração de Maria, depois o seminário e a escola dos padres Claretianos (1922). Após 50 anos de ensino ministrado por ordens religiosas, em 1970 os Claretianos venderam o prédio aos fundadores da Faculdade Farias Brito. Elevada à Universidade em 1985, sendo a primeira universidade particular de Guarulhos (UNG).  

Primeiro Clube de Futebol (1921)

O “União Tietê Futebol Clube” foi fundado no dia 15 de outubro de 1921 e detém o maior número de títulos do futebol guarulhense, vencendo várias vezes o campeonato dos clubes amadores de São Paulo. O campo do clube, na época de sua fundação, se localizava entre o atual Estádio Municipal Arnaldo José Celeste e a sede do Clube União Tietê. Hoje, esse espaço é ocupado por escolas da Prefeitura de Guarulhos e do Estado. A sede atual está localizada na Rua Domingos Fanganiello, 29, bairro Ponte Grande.   

51. Ui_o Tiet_ Futebol Clube 1957. Autor
53. Casa Jos_ Maur_cio, decada de 1950.

Casa José Maurício (1925)

De acordo com informações do processo de desapropriação de 2012, a casa do ex-prefeito José Maurício de Oliveira Sobrinho foi inaugurada em 1925. Construída com tijolos assentados com barro – arquitetura eclética – o imóvel fica localizado em frente ao antigo Paço Municipal. De 1956 a 1976, foi sede do Fórum de Guarulhos (Poder Judiciário), entre outros usos. O antigo Palacete do Prefeito, como era chamado, é um patrimônio tombado (Decreto Municipal 21.143/2000).

Primeiro Grupo Escolar (1926) 

O Grupo Escolar, inaugurado em 1926, agrupou meninos e meninas, em local único, mantendo-os separados em salas masculinas e femininas. Em 1935, a sede, que ficava de frente para a Rua João Gonçalves, foi demolida e reconstruída, onde era o Cemitério dos Bexiguentos. Atual Rua Capitão Gabriel, nº 393, Escola Capistrano de Abreu. Patrimônio tombado pelo Decreto Municipal, 21.143/2000.  

54. Escola Estadual  Capistrano de Abreu
55. Igreja da Irmandade de  Nossa Senhor

Por que a Igreja do Rosário dos Homens Pretos foi demolida em 1930? 

A Igreja-cemitério da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Homens Pretos, patrimônio mantido pelos homens e mulheres afrodescendentes radicados em Guarulhos por 180 anos, foi demolida em agosto de 1930. As autoridades municipais tramaram sua demolição, alegando que atrapalhava o progresso. Promoveram o branqueamento, em nome do “progresso”; “apagando” da paisagem da Rua d. Pedro II o simbolismo celebrativo do rosário.